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PESQUISADORES DO IFSP E UFSC ENCONTRAM RELAÇÃO ENTRE CASOS DA COVID-19 E FRIGORÍFICOS NO SUL DO BRASIL

Nas últimas semanas as mídias noticiaram o crescimento do número de casos do novo coronavírus em cidades do interior da Região Sul do país. Algumas delas com forte concentração da atividade de frigoríficos de aves e suínos o que levou a interdição de algumas fábricas por conta da doença em cidades como Passo Fundo (RS), Lajeado (RS) e Ipumirim (SC). Já a cidade de Chapecó, no Oeste Catarinense, tornou-se a localidade com o maior número de casos de infectados pelo vírus, ao mesmo tempo em que é o município do Brasil que mais emprega no setor de abate de aves e suínos.

A preocupação com estes casos levou os pesquisadores Fernando Mendonça Heck (IFSP-Tupã) e Lindberg Nascimento Júnior (UFSC) a produzirem uma cartografia relacionando os casos da Covid-19 com os municípios que mais concentram frigoríficos no Sul do país. Os resultados encontrados demonstram que no interior dos estados da Região Sul, a presença marcante da atividade econômica de abate de aves e suínos indica semelhança quando relacionada aos casos da Covid-19, conforme se observa nos mapas.

 

Segundo Fernando Mendonça Heck “os frigoríficos já são conhecidos pelo preocupante número de casos de agravos à saúde do trabalhador relacionados diretamente ao processo produtivo como as Lesões Por Esforços Repetitivos”. Porém, os casos da Covid-19 aprofundam essa situação que degrada a saúde dos trabalhadores, pois “apesar de serem considerados atividades essenciais, o processo produtivo aglomera trabalhadores em ambientes fechados com baixa taxa de renovação de ar e sem o distanciamento mínimo necessário para evitar o contágio. Tais condições favorecem a proliferação do vírus”, afirma o pesquisador.

O estudo foi baseado tendo como universo de análise os municípios da Região Sul e as informações de casos confirmados da COVID-19 – conforme Radar COVID-19 até o dia 20/05/2020 – e o número de vínculos (empregos) e estabelecimentos associados a frigoríficos de aves e suínos obtidos via Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

De forma objetiva a avaliação foi realizada a partir da difusão da doença e o encontro de seus padrões espaciais, obtidos por parâmetros de concentração e propagação. Utilizou-se: 1) Círculos proporcionais para relação entre tamanho e a quantidade de notificações de infectados, vínculos e empreendimentos por município; e, 2) Técnicas de geoestatística, cujo tratamento foi obtido a partir de processos de interpolação dos dados absolutos e relativos em uma superfície contínua. Optou-se o modelo Inverse Distance Weighted – IDW, que valoriza a mudança gradual de valores a partir da distância entre os pontos georreferenciados e sua relação com os vizinhos mais próximos.

Para Lindberg Nascimento Júnior “o conhecimento do padrão espacial da COVID-19 não somente oferece possibilidades de criar mapeamentos e produtos cartográficos informativos e de fácil assimilação, mas principalmente a produção de um conhecimento que auxilie nos processos decisórios para a proteção, segurança e saúde dos/as trabalhadores/as, principalmente em setores que, em sua maioria, não tiveram as atividades paralisadas em função da pandemia”.

Os pesquisadores destacam que irão publicar os resultados da pesquisa em periódico científico e que a mesma está relacionada ao projeto universal, financiado pelo CNPQ, e intitulado “Cartografia da Saúde do(a) trabalhador(a) em frigoríficos no Brasil”, coordenado pelo professor Fernando Mendonça Heck do IFSP-Tupã, bem como no conjunto das ações do projeto “Corona-GIS” da Universidade Federal de Santa Catarina, do qual o Professor Lindberg Nascimento Júnior faz parte.

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